O que é um bom texto jornalístico?


01.01.1997


Para escrever bem, é preciso ler - ler muito, ler tudo, ler o tempo todo. Mas o texto jornalístico é escrito por alguém que, além de ler, faz perguntas. E gosta de ver as coisas por outro ângulo e, muitas vezes, pelo avesso.

Um bom texto é fundamental no jornalismo. Jornalista que não escreve bem e não sabe usar as palavras é como o pintor que não sabe lidar com o pincel e as cores, ou a cozinheira que não tem intimidade com o fogão e os temperos, ou o jogador de futebol que não sabe usar os pés e dominar a bola. Ou seja, um bom texto é algo indispensável no jornalismo. Sem ele, não se pode exercer bem a profissão. Jornalista que não escreve bem, no máximo, é um profissional capenga.

Mas o que é escrever bem? Quando sabemos que um texto está bem escrito? Não é fácil responder a essas perguntas. No entanto, quando lemos um texto bem escrito, somos capazes de dizer que estamos diante de um bom texto. Ou, ao contrário, quando lemos algo mal escrito, sabemos que não vale grande coisa. É o mesmo que se dá quando achamos uma comida saborosa ou olhamos um quadro que nos emociona. Não temos explicações para o que sentimos, mas não temos dúvida do que sentimos.

Deixo a pergunta sem resposta, portanto. Talvez haja regras para textos de fino trato, mas eu não as conheço nem as saberia identificar. Prefiro ficar com a sensação de que um bom texto é algo intangível, que não cabe em padrões. É algo mágico, mas de um tipo de mágica que está ao alcance de qualquer um. A Cabala, um ramo místico do judaísmo, acreditava que cada uma das vinte e duas letras do alfabeto hebraico era um anjo. Assim, a palavra escrita nada mais seria do que uma determinada reunião de anjos, e um livro só nos emocionaria e nos diria algo se os anjos, reunidos de uma determinada forma, nos falassem através dele. O bom texto, portanto, seria fruto de uma mágica, de um milagre, enquanto, no mau texto, os anjos não se entenderiam, brigariam entre si. Por isso, não chegariam à alma do leitor.

Estariam certos os cabalistas? Não sei, mas como eles entendiam como poucos de anjos, de números e de livros, é possível que tivessem alguma dose de razão na sua teoria. A palavra escrita é mesmo misteriosa.

Mas, o que faz com que uma pessoa venha a escrever bem? Embora, nesse caso também não haja regras, o fundamental, sem dúvida, é ler - ler muito, ler de tudo, ler o tempo todo. É indispensável ler bons livros, de autores que realmente escrevem bem, mas é bom também ler o que é ruim ou o que não tem importância, ler revistas em quadrinhos, fotonovelas, bula de remédio, teses acadêmicas, outdoors - em suma, tudo.

Ler muito, sem roteiros predeterminados, pelo menos até uma certa altura da vida, é crucial para desenvolver o prazer da leitura, o espírito crítico, o vocabulário, o domínio das imagens, o reconhecimento do som das palavras e do ritmo das frases. Do prazer da leitura é que nasce o prazer da escrita.

A leitura é uma dimensão da vida, uma forma de se comunicar com o mundo. O estudante de jornalismo que não gosta de ler ou de escrever está escolhendo a profissão errada. Ainda há tempo para mudar de escolha. Porque esta é uma profissão na qual as pessoas têm de gostar de ler e de escrever.

É claro que a leitura dos clássicos é fundamental, não porque alguém tenha dito que tal ou qual livro é imprescindível. Devemos ler os clássicos por uma razão muito simples: eles são realmente muito bons. E, porque são muito bons e, ao mesmo tempo, permanentes, são chaves para nos dar acesso aos tesouros culturais da nossa civilização.

Há pouco tempo, li numa revista inglesa - "The Economist", uma revista extraordinariamente bem escrita, nem parece especializada em economia - que a Universidade de Harvard havia realizado uma pesquisa entre seus ex-alunos, formados há 30 ou 40 anos, que hoje ocupam lugares de destaque nos Estados Unidos e no mundo: banqueiros, empresários, advogados, políticos, economistas, diplomatas, jornalistas etc. A pergunta básica era a seguinte: por que Harvard fora importante pare eles? Os pesquisadores imaginavam que as respostas mais freqüentes se refeririam aos excelentes professores, às instalações da universidade, ao convívio com colegas brilhantes ou à abertura de relações que se revelaram importantes para a vida profissional posterior. Para surpresa geral, no entanto, cerca de 30% dos entrevistados disseram que o que mais lhes havia marcado em Harvard fora a leitura dos clássicos. Na universidade, eles haviam despertado para a leitura de autores como Homero, Shakespeare, Cervantes, Goethe, Balzac e Dickens, e essa descoberta marcara suas vidas, tornando-os herdeiros de símbolos, de mitos, de inteligências, de imaginações profundamente entranhados em nossa cultura, em nossa civilização. E tal herança fora assimilada através de uma atividade prazerosa: a leitura de histórias muito bem contadas nos clássicos da literatura mundial.

No nosso caso, brasileiros, temos direito a um prazer extra: a leitura dos clássicos da literatura escrita na língua portuguesa - pelo menos, as literaturas portuguesa e brasileira. Ler Machado de Assis, José de Alencar, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Lima Barreto, Jorge Amado, Drummond, ou ainda Camões, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Miguel Torga, José Saramago, para citar apenas alguns, abre-nos as portas não só do nosso idioma, mas da nossa cultura específica. Somos herdeiros do mundo, é verdade, mas somos herdeiros de um quintalzinho também, do qual não devemos abrir mão.

Mas se ler os clássicos é indispensável, nem por isso deve-se deixar de ler o que é novo, o que está saindo do forno, o que fala sobre o mundo atual, ou o que fala sobre o mundo antigo com um olhar atual. Mas não vou mais me estender sobre a importância da leitura. Ler, ler e ler - é assim que criamos intimidade literária com o mundo, com a cultura, e com a palavra. É o primeiro passo para escrever bem.

Evidentemente, cada um lê do seu jeito. Flaubert dizia que o homem lia para viver. Kafka, que tinha alma de jornalista, dizia que o homem lia para fazer perguntas. E, entramos, assim, em outra característica de um bom texto jornalístico: é um texto escrito por alguém que faz perguntas. O jornalista é, basicamente um curioso, um sujeito que desconfia, um profissional que duvida daquilo que lhe está sendo dito ou apresentado como a verdade absoluta. Quem tem o hábito de se contentar com a primeira versão ou com a versão oficial, tem de mudar de hábito se quiser ser um bom jornalista.

No fundo, no fundo, fazer perguntas é uma forma de ler ou, como sugeriu Kafka, é a forma mais plena de se ler. Por isso mesmo, o bom jornalista não apenas lê o que está escrito, mas deve aprender a ler nas entrelinhas, a ler o que está além das palavras e, muitas vezes, a ler o que está escondido pelas palavras. A palavra - e palavra, aqui, tem um sentido amplo - sempre esconde mais do que revela. Então o bom jornalista tenta enxergar o não-escrito que se esconde no escrito, o não-dito que está camuflado no dito. Parece complicado, mas não é. Trata-se apenas de uma habilidade específica. Depois de adquirida, pode-se exercê-la sem maiores esforços.

Há ainda uma terceira leitura indispensável ao bom jornalista: a das linguagens que não se expressam em palavras. A mãe entende o que seu bebê deseja ou sente, embora ele não fale. Mas, pela expressão do bebê, pelo seu jeito, pelo seu cheiro, pelo seu choro etc. ela sabe se ele está bem, se sente fome, se sujou as fraldas, se dormiu pouco e assim por diante. Trata-se de uma linguagem que não é falada, não é escrita, mas, mesmo assim, cumpre o seu papel: comunica. Um pescador, por exemplo, sabe quando a maré vai mudar, se o vento vai virar, se a temperatura da água está para se alterar. Um amante aprende a ler os sinais de sua amada, sem que ela tenha de falar com todas as letras o que deseja. Evidentemente, para isso, o amante precisa ter olhos para a amada, o pescador deve estar atento à natureza, a mãe tem de estar vivendo intensamente a relação com seu bebê.

Um bom jornalista precisa interessar-se permanentemente por essas linguagens não-escritas e não-faladas. Um repórter, ao entrevistar um político ou um banqueiro, não deve se limitar a recolher suas declarações. Tão importante ou mais importante do que o que ele falou é como ele falou, se exprimiu-se com arrogância, sinceridade, raiva, insegurança, malícia etc. Se o repórter, ao ouvir a declaração de um ministro, teve a sensação de que ele não estava sendo sincero ou a certeza de que ele não dominava o assunto sobre o qual era entrevistado, tem a obrigação de passar essas informações para o leitor. Isso não se aprende na escola, não se ensina em lugar nenhum, mas é indispensável. Um bom jornalista não se limita ao óbvio e procura sempre ver as coisas por outros ângulos e, algumas vezes, pelo avesso.

Bons textos jornalísticos não precisam ter um lead, necessariamente. O lead é uma apenas uma possibilidade, não uma camisa de força. Freqüentemente lemos matérias excepcionais que não têm lead, e, mais freqüentemente ainda, matérias chatíssimas que trazem logo no início as respostas para os cinco W e o um H (**). Por isso mesmo, atenção com lead. Ele não passa de uma técnica, surgida nos anos 50, para evitar o insuportável nariz-de-cera da imprensa tradicional, que, em vez de dar a notícia logo ao leitor, adiava-a por quatro ou cinco parágrafos de subliteratura. Em vez de informar que fulano de tal fora atropelado, dava voltas e mais voltas antes de chegar ao fato. Mais ou menos assim: "Quando saiu de casa e beijou a mulher, Antônio não sabia o que estava para lhe acontecer. Depois de esperar o bonde por quinze minutos, sentiu vontade de tomar um café etc etc".

Então, o lead nasceu como uma reação saudável ao nariz-de-cera, embora há quem diga que ele foi uma imposição industrial. Os anúncios que entravam tarde obrigavam os editores a cortar matérias pelo pé, e, como muitas vezes a informação estava no fim do texto, perdia-se o mais importante. Para superar isso, o essencial subiu para a cabeça da matéria.

O lead tem um grande mérito: organiza a informação. O lead tem um grande defeito: padroniza o estilo. O ideal é informar com um texto que seja o mais agradável possível.

O que prende mais a atenção do leitor e informa-o melhor: a) uma notícia que comece assim: "Cerca de 250 pessoas morreram ontem na costa oriental da Guatemala, depois da passagem do furacão Flora, que varreu a região com ventos de mais de 200 km por hora, deixando aproximadamente 50 mil desabrigados"? b) ou uma matéria que comece dessa forma: "Maria Alonso passou a tarde de ontem procurando seus dois filhos, que desapareceram depois que o furacão Flora passou pela costa oriental da Guatemala, com ventos de mais de 200 km por hora. Sua busca terminou no começo da noite, quando os bombeiros encontraram os corpos das três crianças soterrados nos escombros da pequena escola de San Cristobal. Ao reconhecer os filhos, Maria olhou para o céu etc etc"? É evidente que o segundo texto atrai mais o leitor, pois nele há um personagem, há um drama humano, há sentimentos. A matéria não está falando sobre 250 mortos anônimos, mas sobre alguém individualizado, com quem o leitor pode se identificar, cuja tragédia o leitor pode sentir como sua. E, se isso ocorrer, mesmo que a matéria tenha 200 linhas, o leitor irá até o final.

Matérias não são chatas ou atraentes porque são grandes ou curtas, mas porque são mal ou bem escritas ou porque versam sobre assuntos desinteressantes ou interessantes. Quando lemos um texto que nos atrai ou no qual nos reconhecemos, independentemente do seu tamanho, ele torna-se importante para nós.

Mas será que todas as matérias de jornal precisam contar a história de alguém, ter personagens, trazer diálogos saborosos? É claro que não. Se a prefeitura decidiu ontem que o carnê do IPTU será enviado para os moradores na próxima quarta-feira, dificilmente a matéria irá além disso, embora um bom repórter possa descobrir, por exemplo, que, no ano passado, a prefeitura não cumpriu os prazos de entrega dos carnês, causando grande transtorno aos contribuintes. Ou seja, o bom repórter pode agregar uma informação que não é óbvia - e é importante - para o leitor. Mas, mesmo assim, provavelmente a matéria em questão não terá como fugir ao feijão-com-arroz.

Por isso, na maioria dos casos, as matérias acabam obedecendo à forma tradicional, recorrendo ao velho e bom lead. Não tenho estatísticas, mas é possível que somente uma em cada dez matérias nos dê a oportunidade de fazer algo realmente diferente do trivial. É pouco? Nem tanto, desde que o repórter não desperdice essa oportunidade. Quem procura sair da mesmice, quem está sempre correndo atrás do que é diferente, quem está na ponta dos cascos, tem sempre mais chances de fazer algo interessante do que o profissional que está acomodado com a rotina do dia a dia.

É impossível saber de antemão quando essa oportunidade vai aparecer. Mas o repórter inquieto, que está sempre se perguntando se não há uma forma mais interessante de escrever e de ler uma notícia do que através da cantilena dos cinco W e do um H, vai encontrar oportunidades que outros não encontrarão. Nesse sentido, o jornalismo pode ser uma atividade fascinante ou aborrecidíssima. Depende da postura de cada um.

Fascinante é poder lidar com assuntos novos e ser capaz de se renovar, de não se conformar com as fórmulas batidas de sempre. O importante não é escrever de acordo com os manuais de redação ou de acordo com o padrão de um determinado editor, mas sim do jeito que transmite melhor a informação.

Quem perder isso de vista estará derrotado de antemão na batalha diária que se trava entre a notícia e a rotina, entre a inovação e a regra, entre o talento e a burocracia na imprensa. Digo isso sem preconceito: bons jornais são feitos de uma combinação adequada de talento e organização. Sem talento, o jornal é um purgante. Sem organização, o jornal não sai, quebra e vamos todos para o olho da rua. Mas, pessoalmente, acho que os bons jornalistas devem fazer questão de militar na porção-talento dessa mistura.

Ao insistir na necessidade de os jornalistas escreverem bem, não quero dizer que eles tenham de ser escritores. Longe disso. Jornalistas são parentes próximos dos escritores, dos novelistas, dos romancistas, dos poetas etc. Trabalham com a mesma matéria-prima: a vida. Usam as mesmas ferramentas: as palavras. Mas estão presos a uma dimensão de tempo diferente. Isso é crucial. A matéria-prima dos jornalistas é a vida, mas uma vida que amanhã não existe mais, pelo menos do jeito que está sendo contada hoje. A notícia que saiu hoje no jornal amanhã já estará embrulhando peixe, já terá ido para o lixo. O jornalista, portanto, lida com algo que é efêmero na sua manifestação, acaba logo, está prestes a ser superado. Já os romancistas, os poetas, os novelistas trabalham com um barro muito mais duradouro, que não desaparece no dia seguinte e, às vezes, atravessa décadas ou séculos.

No fundo, nós, jornalistas, lidamos com os fatos da vida dos indivíduos, com aquilo que afeta seu cotidiano, enquanto os escritores tratam dos fatos, das angústias e dos problemas das sociedades, que vivem longos períodos. A humanidade mede-se por séculos e séculos; o homem, enquanto indivíduo, contenta-se com o dia, com a semana, vá lá, com o mês. Assim, o jornalismo é uma atividade vinculada ao dia-a-dia das pessoas, o que lhe dá a possibilidade de captar, antes de qualquer atividade, aquilo que é novo no mundo. É isso que é fascinante no jornalismo. Por que, então, soterrar o que ele tem de mais interessante debaixo da rotina e da mesmice, inclusive de textos previsíveis e fossilizados?

O desafio de procurar escrever bem, no caso do jornalismo, apresenta dois grandes perigos para os quais eu queria chamar a atenção.

O primeiro é a literatice. O jornalista esquece-se do leitor e da notícia, entra em delírio criativo, fica embevecido com seu texto e acaba fazendo literatura de má qualidade. O pior é que, geralmente, o sujeito acha que o texto está ótimo, quando não passa de uma porcaria impublicável. A literatice produz situações constrangedoras num jornal. É terrível dizer a alguém que se expôs e está esperando um elogio ou um estímulo que seu trabalho está horrível e só merece a lata de lixo. Mas isso tem de ser dito - e, nos jornais, felizmente, costuma ser dito. É melhor magoar o repórter do que aborrecer o leitor.

O segundo perigo é a invencionice. Há repórteres que, no afã de escrever uma história mais interessante, acrescentam detalhes, produzem frases, floreiam ou carregam nas tintas de tal forma que a realidade é substituída pela ficção. Cuidado e pé no chão. Jornalistas dão notícias, reportam fatos que aconteceram; não inventam. Cito um caso famoso, ocorrido no “Washington Post”. Alguns anos depois das reportagens do caso Watergate, que demoliram o governo Nixon e marcaram época nos Estados Unidos, o jornal publicou uma série de matérias sobre um jovem de uns dez anos que se drogava. As reportagens estavam tão bem escritas e eram tão impressionantes que causaram comoção nos Estados Unidos, e acabaram ganhando o Prêmio Pulitzer, o maior prêmio do jornalismo americano. Mais tarde, descobriu-se que nada do que fora publicado era verdade. A repórter simplesmente inventara a história. A moça foi demitida, o jornal teve de se desculpar com seus leitores e o prêmio foi cancelado. Evidentemente, trata-se de caso extremo, mas a invencionice, em doses menores, é um pecado bastante corriqueiro nas redações.

Mas nem o risco da literatice nem o da invencionice devem servir de pretexto para que o jornalista se recuse a aceitar o desafio de tentar escrever bem. Com autocrítica e ética, são perfeitamente superáveis.

Por último, um bom texto jornalístico depende também de algo que não existe aos potes: paixão pela profissão. Já dizia Nelson Rodrigues, que, sem alma, não se chupa nem um chica-bom. Sem paixão pela profissão, sem gosto pela notícia, sem respeito pelo leitor, é impossível ser um bom jornalista.

Certa vez, quando era secundarista aqui no Rio de Janeiro, fui entrevistar o poeta Carlos Drummond de Andrade para o jornal da escola. Depois da entrevista, perguntei-lhe: "Gostaria de ser poeta. O que devo fazer?” E ele me disse: "Para que você quer ser poeta? Tudo o que você pensar em escrever em matéria de poesia, alguém, antes, já escreveu melhor do que você será capaz de escrever." Eu dei aquela desanimada, e ele completou: "Mas se, apesar de saber que não vai fazer poesia melhor do que os que vieram antes de você, mesmo assim você sentir uma necessidade absoluta de escrever, então escreva. Provavelmente, você será um poeta". Desisti de ser poeta ali mesmo, naquela hora.

Se você tiver paixão pela profissão, se tiver gosto pela leitura e nunca parar de ler, se estiver impregnado de uma curiosidade genuína diante da vida, se se acostumar a apurar os fatos com um olho na frigideira e outro no gato, se estiver disposto a correr riscos para sair da mesmice, você terá boas chances, então, de ser um bom repórter e escrever bem. Terá, então, seu estilo, e deixará sua impressão digital no que escreve.

Os jornais hoje estão transformados em grandes máquinas, fazem parte de uma grande indústria. Muitos dos seus melhores profissionais estão ocupando funções que os afastam da tarefa de escrever todos os dias. São indispensáveis porque editam bem um página, dirigem bem um jornal, organizam bem uma redação. São decisivos para o jornal sair todo dia. Pessoalmente, porém, continuo achando que o mais fascinante num jornal é escrever, é ser um contador de histórias, é ser um farejador de notícias, é ser um ligador de fatos, mesmo sabendo que essas histórias, essas notícias e esses fatos, geralmente, duram apenas um dia e depois vão embrulhar peixes.

(*) palestra proferida para estudantes de jornalismo na Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro, em 1997. Publicada como um capítulo do livro “Lições de Jornalismo 2”, pela UniverCidade Editora, 1999.

(**) Cinco W e um H: who? (quem?), what? (o quê?), where? (onde?), why? (por quê), when? (quando?) e how? (como?). O lead clássico deve responder a essas seis perguntas.


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