Datafolha: Mike Tyson tirou votos de Alckmin


11.10.2006


Reprodução do Datafolha

Coluna do iG
O Datafolha divulgado hoje é uma tremenda ducha de água fria na campanha de Geraldo Alckmin. Em apenas quatro dias, a diferença entre Lula e Alckmin, aumentou quatro pontos, passando a ser de 11%, com o placar de 51% a 40%. Destaque: Lula subiu um ponto, enquanto Alckmin caiu três. Como de sexta-feira para cá o único fato relevante da campanha foi o debate da Band, não há dúvida de que o estilo Mike Tyson adotado pelo tucano no confronto com Lula foi um tiro pela culatra.

Pouco importa que 43% dos entrevistados tenham achado que Alckmin venceu o debate, contra 41% que consideraram a performance de Lula superior. Do ponto de vista eleitoral – e a essa altura do campeonato, esse é o ponto de vista que realmente importa –, Alckmin foi derrotado. E por uma razão muito simples: perdeu mais eleitores do que ganhou com o comportamento agressivo no debate. Essa tendência já havia sido detectada pelas pesquisas qualitativas feitas pelas duas campanhas durante o debate da Band (ver minha coluna de ontem). Agora, foi confirmada claramente pelo Datafolha.

No debate, Alckmin cometeu um erro mais comum do que se pensa em disputas eleitorais: falou para seus próprios eleitores. De certo modo, lembrou o Lula das campanhas de 1994 e 1998, quando ele falava para a sua própria tropa. Com seus discursos inflamados, fazia furor no PT e na esquerda, mas depois perdia a eleição, porque chocava e afastava o eleitor indeciso, aquele que, por incrível que pareça, é quem decide a eleição. O que está acontecendo agora com Alckmin é exatamente a mesma coisa. O núcleo duro do seu eleitorado ficou eufórico com a pegada do candidato no debate da Band. Mas a periferia mole não gostou do que viu e ouviu e resolveu pensar mais um pouco antes de decidir o seu voto.

Ela pode retornar para Alckmin? Pode, desde que ele jogue fora o modelito agressivo que encarnou no último domingo e volte a adotar o tom moderado de sempre. Mas aí ele desagradaria o pessoal que vibrou com seu comportamento no debate da Band, que tende a ser essencial para injetar entusiasmo e combatividade na reta final da campanha. A opção não é fácil e, qualquer que seja, acarretará perdas.

É interessante notar mais dois aspectos da pesquisa do Datafolha. Primeiro, a diferença entre Alckmin e Lula voltou a cair nas faixas mais escolarizadas e de maior renda. Por exemplo, embora o tucano siga vencendo por larga margem entre os entrevistados com ensino superior, a vantagem reduziu-se em cinco pontos. Essa nova variação confirma um padrão desta campanha eleitoral: enquanto os eleitores de baixa renda e menor escolaridade vêm demonstrando um voto muito firme, com Lula, o tempo todo, entre os segmentos situados no topo da pirâmide salarial e educacional há grupos marcados por forte volatilidade, que se deslocaram de um candidato para outro ao longo da campanha, ao sabor dos fatos e versões.

Segundo, em quatro dias, Alckmin perdeu nove pontos entre os eleitores de Heloisa Helena, enquanto Lula ganhou quatro. O placar, que na sexta-feira passada era de 48% a 32, é agora de 39% a 36%, o que configura uma virada e tanto. Tudo indica que a tática de Lula de forçar uma comparação com Alckmin – de um lado, estaria um governo voltado para o social; de outro, um candidato cuja vitória poderia produzir retrocessos nesse campo – está dando resultados junto a uma boa parte dos eleitores da senadora do PSOL.

Nos próximos dias saem novas pesquisas do Ibope e do Vox Populi. Vamos ver o que elas trazem. Mas uma coisa é certa: pelo menos até agora, Lula está acumulando pontos e Alckmin errando mais do que acertando. Faltam 17 dias para as eleições.




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