Pesquisas: pode haver 2o turno, mas decisão no domingo é mais provável


28.09.2006


Coluna do iG
As pesquisas divulgadas ontem apontaram para lados diferentes, mas chegaram ao mesmo lugar. Para o Datafolha, a vantagem de Lula sobre todos seus adversários somados caiu três pontos; para o Ibope, voltou a aumentar – no caso, dois pontos. Mas como o Datafolha anterior dava uma diferença a favor de Lula de 8% e o Ibope de 3%, o resultado final acabou sendo o mesmo: Lula tem uma dianteira de cinco pontos sobre o conjunto de seus oponentes. Se as eleições fossem ontem, o presidente seria reeleito com 53% dos votos válidos. A fatia no bolo de Alckmin, Heloísa Helena, Cristovam e supernanicos, juntos, seria de 47%.

Mas as eleições só se realizarão no domingo. Em tese, três dias podem ser o bastante para que se produza um deslocamento eleitoral que empurre a decisão para o segundo turno. Mas, embora possível, tal deslocamento é também provável?

É difícil responder, até porque os dois institutos captaram movimentos distintos no eleitorado. Para o Datafolha, a vantagem de Lula sobre seus adversários está em queda. Para o Ibope, ao contrário, depois de ter declinado nos últimos úteis da semana passada, a diferença a favor do presidente voltou a subir de sábado para cá.

No entanto, se examinarmos mais detidamente os números, veremos que eles oferecem limites para uma virada dessa magnitude, a menos que fatos novos intervenham na reta final da campanha. Como Lula continua estabilizado num patamar muito alto – 49% no Datafolha e 48% no Ibope –, para que houvesse segundo turno seria necessário que: a) os adversários de Lula tomassem dele nos próximos dias cerca de três pontos, derrubando-o para um patamar próximo de 46% ou 45%% dos votos e, ao mesmo tempo, aumentassem sua fatia no bolo para 47% ou 46%; b) ocorresse uma transferência dos votos indecisos, nulos e em branco para os oponentes do presidente superior a cinco pontos; c) as duas hipóteses anteriores se combinassem de forma adequada.

Embora uma queda abrupta das intenções de voto em Lula num espaço de tempo tão curto seja possível, não é algo fácil de acontecer, segundo se depreende da análise dos números. A votação em Lula tem se mantido estável desde o início do horário eleitoral – segundo o Datafolha, igual ou superior a 49 pontos. Tudo indica que se trata de um patamar consolidado, tanto que, mesmo após a crise do dossiê, ele não cedeu. As mudanças ocorridas nas últimas semanas deram-se basicamente em função do crescimento de Alckmin sobre os indecisos e os votos nulos ou em branco.

O problema é que, segundo o Datafolha, hoje restam apenas 4% dos eleitores que pretendem anular seu voto. O índice dos indecisos pe menor ainda: 3%. Ou seja, praticamente não há mais espaço para crescer significativamente nesse contingente. Afinal, sempre haverá quem vote branco ou nulo. No máximo, os adversários de Lula poderiam beliscar um ou dois pontinhos nessa faixa.

Portanto, Alckmin não tem outra saída para levar a decisão para o segundo turno senão a de crescer tomando votos de Lula. E isso, ao longo das últimas sete semanas, mesmo em meio à crise do dossiê, não se mostrou uma tarefa fácil.

Vale lembrar que estamos falando dos números que estão nas pesquisas. E pesquisa é pesquisa, eleição é eleição, e, entre hoje e domingo, muita coisa pode acontecer. Uma coisa é certa: estamos tendo uma reta final emocionante. Quem reclamou de que a campanha estava fria, queimou a língua.



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