PMDB desiste da Saúde e chances de Martha diminuem


28.02.2007


Coluna do iG
Ao comunicar ao ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que desistiu de indicar o próximo ministro da Saúde, o PMDB resolveu um problema do presidente, mas criou outro. Lula tem agora o caminho livre para nomear para o cargo, como queria, o médico José Gomes Temporão, um técnico respeitado na área. Embora ele seja filiado ao PMDB, Temporão não teve o apoio da bancada do partido na Câmara, que queria emplacar um deputado no comando da pasta.

Lula agora terá de contemplar a bancada do PMDB na Câmara com outro ministério, que, provavelmente, não terá o peso da Saúde. Uma hipótese é a pasta da Previdência; outra, a da Agricultura. Caso o presidente decida remanejar Walfrido Mares Guia para as Relações Institucionais, no lugar de Tarso Genro, que segue para a Justiça, o Ministério do Turismo também entraria nessa restrita dança das cadeiras. Ao PDT, igualmente seria oferecida uma dessas posições.

Fica faltando desatar, portanto, um grande nó: onde botar Martha Suplicy? Assessores diretos de Lula garantem que ele decidiu manter Márcio Fortes, técnico ligado ao PP, no Ministério das Cidades. Dessa forma, estreitaram-se ainda mais os caminhos que levariam ao aproveitamento de Martha no primeiro escalão do governo.

Hoje ou amanhã, Lula informará ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, sobre suas dificuldades, deixando claro que só tem condições de nomear a ex-prefeita de São Paulo para uma das pastas que o partido já controla. Mesmo nessa categoria, porém, há muitas exceções: além da cozinha do palácio e do núcleo da equipe econômica, Lula não mexerá no Desenvolvimento Social e na Educação. Patrus Ananias e Fernando Haddad, respectivamente, ficam onde estão.

Trocando em miúdos: restarão para Martha apenas posições de menor visibilidade e influência, como as secretarias com status de ministério, ou áreas para as quais ela não tem embocadura, como a Reforma Agrária. Dessa forma, Lula devolverá ao PT o problema que ele criou, ao pressionar publicamente pela nomeação de Martha para o ministério.

Se, nas próximas horas, esses movimentos se confirmarem, estaria praticamente montado o quebra-cabeça político da reforma ministerial. Faltaria resolver apenas alguns casos isolados, que não passam pela negociação com os partidos, como o dos ministérios do Desenvolvimento e da Defesa. Tudo indica que Luiz Fernando Furlan, por motivos familiares, não ficará no cargo. Provavelmente será substituído por outro empresário peso-pesado. Já a Defesa será ocupada por uma personalidade de forte peso institucional.

No Palácio do Planalto, as apostas mais fortes são de que a reforma ministerial será anunciada na semana que vem. Mas como Lula se reunirá com os governadores na terça-feira e recepcionará George W. Bush na quinta, sempre é possível que o assunto seja cozinhado por mais um tempinho. E la nave va ...



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