Minas e São Paulo (falta o audio)


1929


Autor: Jararaca e Pinto Filho
Intérprete: Jararaca
Gênero: Humor
Gravadora: Parlophon


Nesse quadro de humor com música, Jararaca e Pinto Filho simulam um diálogo entre o presidente Washington Luís – daí a menção ao Clube Recreativo 15 de Novembro, data da proclamação da República – e o presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos de Andrada. Pelas regras da política do café com leite, depois de um paulista, ainda que nascido em Macaé, no Rio de Janeiro, como Washington Luís, era a vez de um mineiro comandar o país.

Mas “Seu Estradanha” – “governar é abrir estradas” era o lema do presidente - queria porque queria fazer de Júlio Prestes, de São Paulo, seu sucessor. Com isso, empurrou Minas para uma aliança com o Rio Grande do Sul, em torno da candidatura do gaúcho Getulio Vargas. A crise desembocaria na Revolução de 30.

Uma curiosidade: na estrofe final, Washington Luís recorre aos versos de um grande sucesso da época, o samba “Vamos deixar de intimidade”, de Ary Barrosos, gravado por Mário Reis, para dar um ponto final na sua conversa com Antônio Carlos: “Vamos deixar de intimidade / Entre nós mais nada existe / Nem o amor nem a saudade.´´

(fala)
“Viva o nosso presidente do Clube Recreativo 15 de Novembro!!
Viva!!!
- Eu agradeço penhorado a manifestação que vós acabeis de me fazer. Meus senhores, minhas senhoras e senhoritas e petits infants. A Comissão composta dum só membro, que é eu, arresorveu escolher dentro das misse mais cotada e mais decotada aqui presente, que ambiciona o arto título de Miss Catete, (.........) e Julio Prestes, fazendo votos pra que ela preste os seus serviços à Pátria como eu e não se preste a fazer um preste que não presta.
Ehhh!!!
Paulista da minha terra,
Que segue as minhas pegada,
Abrindo e fechando estrada
Nas margem do Tietê,
Eu só queria saber
Proquê é que o povo diz
Que só vai dar Júio Prestes
despois de Óshington Luiz.
Vou demonstrar pros mineiro
Que nós é bem brasileiro.
São Paulo nunca se esconde,
Paulista não compra bonde,
São Paulo é que dá café.
São Paulo não baixa as cristas,
Eu falo como paulista,
Paulista véio de guerra,
Paulista da nossa terra,
Paulista de Macaé.
Ehhh!!!

- Seu Estradanha(?), tudo isso que você disse aí é mentira: mineiro compra bonde, mas vende os reboque aos paulista.
Mineiro de Barbacena,
Da terra do leite grosso,
Que planta milho em caroço
Pras formiguinha comer,
Que conta as suas potoca
Sentado junto à engenhoca,
Enquanto houver mandioca
Mó de a bichinha moer.
Eu só queria era só
Mineiro que não entrosa
Poder provar presses prosa
Que o queijo inda não bichou.
Preles não rir dos mineiro,
Que também é brasileiro,
E dos paulista a dinheiro
Um bonde errado comprou.
Comprou, ninguém não esconde,
Não sabe como nem onde
O desgraçado do bonde,
Pra rir do leite o café.
Mas o mineiro ainda pode
Chumbar alguém com botoque,
Quem te vendeu o reboque,
paulista de Macaé.

(cantado)
(WL)
Eu vou me embora,
Vocês tudo eu vou deixar
Me deixem então te agarrar,
Me deixem então te agarrar

(AC)
Em Mato Grosso
Si tu qué te dou lugar
Tu qué mais é me brefar,
tu qué mais é me brefar

(WL)
Tem paciência
Meu irmão eu não te engano:
Si tu quer vai pro Senado
Isperar mais quatro ano

(AC)
Volto pra Mina,
Eu não quero é mais nada
Eu vou já é ricuier-me
Á minha vida privada.

(WL)
Mineiro,
vamo deixar de intimidade
Entre nós já nada existe,
Nem o amor nem a saudade (bis)”



veja item anterior    vá para o topo do página
lista todos   comente   envie por e-mail   veja próximo item
 
Não deixe de conferir as músicas que contam a história política do Brasil [mais]
Lista completa
Nesta seção, você encontra alguns dos textos mais importantes, sugestivos e saborosos da vida política brasileira [mais]

Assine o canal RSS

Receba os novos artigos no momento em que eles entrarem no site. [mais]
cadastre-se

Receba o boletim

Cadastre-se para receber os principais comentários por email [mais]