Revolução pernambucana (1817)


1817


O fim da escravidão fica para depois

Poucos documentos são tão reveladores da limitação do pensamento liberal na sociedade escravagista brasileira quanto a proclamação lançada pelo governo provisório instaurado pela Insurreição Pernambucana de 1817 com o objetivo de tranqüilizar os senhores de escravos. Fortemente liberal, o movimento propunha-se a proclamar uma república nos estados do Nordeste, fundada nos ideais da Revolução Francesa, e a libertar a região do domínio português; no entanto, necessitando do apoio dos grandes proprietários de terra e dos senhores de engenho, viu-se obrigado a engavetar suas idéias abolicionistas - ou, como diz o texto, com enorme constrangimento, a enfrentar o “câncro da escravidão” de “modo lento regular e legal”. Mas, ao ceder às pressões dos senhores de escravos, o governo provisório acabou frustrando os setores mais radicalizados do movimento, que se apoiavam nas classes médias urbanas de Recife e Olinda, e perdendo gás. Uma frota enviada às pressas do Rio retomou sem grandes combates o controle da situação. A insurreição sobreviveu apenas 74 dias.


"Patriotas pernambucanos!

A suspeita tem-se insinuado nos proprietários rurais: eles crêem que a benéfica tendência da presente liberal revolução tem por fim a emancipação indistinta dos homens de cor, e escravos. O governo lhes perdoa uma suspeita, que o honra. Nutridos em sentimentos generosos, não podem jamais acreditar que os homens, por mais ou menos tostados, degenerassem do original tipo de igualdade: mas está igualmente convencido que a base de toda a sociedade regular é a inviolabilidade de qualquer espécie de propriedade. Impelido destas duas forças opostas deseja uma emancipação, que não permita mais lavrar entre eles o cancro da escravidão: mas deseja-a lenta, regular, e legal. O governo não engana ninguém, o coração se lhe sangra ao ver tão longínqua uma época tão interessante: mas não a quer prepóstera.

Patriotas!

Vossas propriedades ainda as mais opunantes ao ideal da justiça serão sagradas; o governo porá meios de diminuir o mal, não o fará cessar pela força. Crede na palavra do governo, ela é inviolável, ela é santa."


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