PMDB de Renan apostou tudo em Lula. E perdeu


06.03.2007


Coluna do iG
Por Ricardo Amaral (* interino)
Ainda é cedo para dizer que o PMDB sairá unificado da convenção de domingo, na qual o presidente Michel Temer será reeleito pela desistência do adversário Nelson Jobim, anunciada no final da manhã.

Se Temer for reeleito com autoridade bastante para traduzir em votos no Congresso seu apoio declarado ao governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá materializado um sonho.

Mesmo tendo estimulado a candidatura de Jobim, interlocutor de confiança, Lula andava mais interessado na construção da unidade interna do PMDB do que com o nome do presidente.

Ele quer, precisamente, que o partido tenha um comando único, mesmo abrigando divisões, como o PT tem as dele. Se isso não é mais possível com o amigo Jobim, por que o ex-adversário Temer não daria conta do recado?

Para responder a essa pergunta, será preciso acompahar atentamente o comportamento do presidente do Senado, Renan Calheiros, principal patrocinador da candidatura Jobim.

Renan e o ex-presidente José Sarney decidiram apoiar Lula no momento mais difícil da crise do mensalão, em agosto de 2005. Consideram-se tão abandonados por Lula quanto o próprio Jobim.

O ex-ministro do Supremo jogou a toalha porque perdeu seu mais importante trunfo: a preferência de Lula. Aberta ou velada, era essencial para desequilibar o jogo numa disputa apertada, como sempre ocorre nas convenções do PMDB.

Ao receber no Planalto o deputado Geddel Vieira Lima, praticamente confirmando-o como ministro das Relações Institucionais, ontem à tarde, Lula sinalizou "neutralidade" e desfez as ilusões do grupo de Renan Calheiros.

O presidente do Senado tira o time de campo na convenção, mas continua chefiando um dos poderes da República. A frágil maioria do governo no Senado, baseada nos votos do PMDB, depende dramaticamente de Renan.

Lula foi convencido a ficar neutro no PMDB, fiando-se no argumento de que os dois lados juram apoiar o governo.

A renúncia de Jobim e as primeiras reações do grupo de Renan indicam que essa banda do partido continua com os pés no governo, mas vai ficando mais distante do Planalto.

*Ricardo Amaral e repórter da Agência Reuters em Brasília

02.03.2007
Caros amigos e leitores. Vou tirar alguns dias de férias, para recarregar as baterias. Foi um ano duro e estou cansadíssimo. No meu lugar, ficará com vocês o jornalista Ricardo Amaral, atualmente trabalhando na agência Reuters. Amaral, um mineiro que tem mais de 20 anos de Brasília nas costas, é um repórter muito bem informado e um analista político de primeira linha. É tão bom que, no serpentário da capital federal, raramente come gato por lebre. E não perde o bom humor.

Desfrutem.



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